A era tecnológica e digital fez surgir, nos últimos anos, um grave problema: a acumulação do lixo eletrônico. Diariamente, milhares de aparelhos e equipamentos como computadores, televisores, câmeras, impressoras, celulares, baterias, iPonds e outros são destacados ou substituídos, pois se tornaram obsoletos para muitos usuários.
Rômulo Lima Meira (licenciado em geografia, pós-graduado em educação e cultura, professor do Colégio Sacramentinas, Vitória da Conquista - Bahia End. Eletrônico: romulomeira@ig.com.br)
A todo momento, aparelhos eletrônicos chegam ao mercado, seduzindo consumidores a trocarem os seus (que ainda funciona perfeitamente) por novos, que possuem mil recursos, todos imprescindíveis, segundo nos fazem crer. Esse é um artifícil planejado pelos fabricantes de eletrônicos, que contribuem para aumentar o lixo eletrônico ou E-lixo.
PERIGOS AMBIENTAIS
Em todo mundo, a produção de lixo eletrônico cresce diariamente, representa um grande problema ambiental e consequentemente um grave problema para o ser humano e o planeta.
Muitos desses produtos contem substâncias tóxicas, como mercúrio e chumbo, que ao serem liberados no ambiente podem inutilizar o solo e contaminar os lençóis freáticos.
No Brasil, são comercializados 13 milhões de computadores por ano, e a estimativa e de que um milhão de unidades seja descartado no mesmo período. Segundo a Agencia Nacional de Telecomunicações (ANATEL), em fevereiro desse ano o número de aparelho de telefones celulares já ultrapassava mais de 176 milhões. Esse produto tem média de dois a quatro e, em breve, ficaram absoletos e serão substituídos por equipamentos mais modernos.
Os estados Unidos, o Japão e alguns países da Europa já possuem técnicas de reciclagem desses materiais eletrônicos. O interesse pela sucata eletrônica tem motivos econômicos. Por exemplo, muitos computadores possuem metais preciosos em sua composição, como o ouro e a prata. Alem de valiosos, 98% desse material podem ser reutilizados.
Os detritos eletroeletrônicos estão entre as categorias de lixo que mais crescem no mundo. Segundo um relatório da Organização das Nações Unidades (ONU), o Brasil é o quarto país do mundo em quantidade de lixo eletroeletrônico. Diante desta realidade, foi solicitado que o país começa a adotar estratégias para suportar o crescimento do lixo tecnológico, que se acumula em várias partes do mundo sem nenhum controle. Outra solicitação seria incentivar as empresas a firmarem um pacto de recolhimento e reciclagem de todo o lixo eletrônico produzindo por elas no país.
RECICLAGEM E REINSERÇÃO
Um projeto pioneiro no Brasil é o Centro de Descarte e Reuso de Resíduos de Informática, da Universidade de São Paulo (USP), que receba bens tecnológicos obsoletos. Os equipamentos que ainda tem condições de uso são redistribuídos e os outros são reciclados. O mesmo é feito pelo Centro Social Marista (Cesmar), em Porto Alegre, que recondiciona computadores e os doa a escolas. Iniciativas como estas estão surgindo em diversos pontos do país. Enquanto isso, o Ministério de Meio Ambiente e o Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre) firmaram parcerias para criar um inventário de quanto lixo eletrônico o Brasil produz e onde ele vai parar.
Tais projetos estão sendo desenvolvidos também com o objetivo de mudar o comportamento do consumidor, pois, não precisamos trocar de computadores todos os anos ou comprar um celular com essa mesma freqüência. Quanto mais eletrônicos adquirimos, maior será a quantidade de lixo gerado. Por isso, cuide bem, de seus produtos e tente evitar os constantes apelos da mídia e da moda. Caso precise realmente comprar um novo aparelho, enquanto o seu ainda estiver funcionando, doe o usado para alguém que vá aproveitar. Dessa forma, ainda é possível prolongar a vida útil e a pessoa que o receber não precisará comprar um novo tão logo. Isso é consumo consciente!
Um mundo que depende cada vez mais tecnologias precisa também de novas mentalidades. O consumo é necessário à vida e à sobrevivência de todos; o problema é quando o consumo de bens e serviços acontece de forma demasiada, levando à exploração excessiva dos recursos naturais e inteiramente no equilíbrio do planeta.
Fonte: Revista Mundo Jovem. Agosto de 2010, página 18 (http://www.mundojovem.com.br)
**Procure saber, na sua cidade ou região onde podemos depositar o E-lixo ou quem o recolhe e nos informar sobre (com o número do telefone, endereço etc).


